Especialistas em fisioterapia esportiva detalham como o relevo da capital paranaense impacta as articulações e os ajustes biomecânicos necessários para proteger joelhos e tendões

Correr em Curitiba exige mais do que fôlego; exige estratégia biomecânica para vencer o relevo acidentado. O Parque Tingui, um dos favoritos da capital paranaense por suas subidas desafiadoras, é um cenário comum onde o entusiasmo do treino encontra o risco de sobrecarga. Sem o ajuste técnico correto, as ladeiras que fortalecem os músculos podem se tornar vilãs para o tendão de Aquiles e para a articulação patelofemoral.

A prevenção de lesões na corrida de rua começa no entendimento de como o corpo reage à inclinação. Quando o atleta sobe, a demanda sobre a cadeia posterior (panturrilhas e isquiotibiais) aumenta drasticamente, enquanto as descidas exigem um controle excêntrico rigoroso para absorver o impacto.

Por que as subidas do Parque Tingui são um desafio biomecânico?

O relevo do Parque Tingui impõe um estresse mecânico específico que difere de percursos planos. Nas subidas, o tornozelo trabalha em maior amplitude de dorsiflexão, o que tensiona a fáscia plantar e o tendão de Aquiles. Se o corredor já possui um encurtamento nessa região, o risco de desenvolver uma tendinopatia aumenta a cada quilômetro percorrido nas ladeiras.

Homem amarrando os cardaços dos seus tenis de corrida
Homem amarrando os cardaços dos seus tenis de corrida – Créditos: depositphotos.com / Ivanko1980

Além disso, a inclinação exige que o centro de gravidade seja deslocado. O erro comum de muitos corredores em Curitiba é tentar manter o tronco excessivamente ereto ou olhar para os pés durante a subida, o que desalinha a coluna e sobrecarrega a região lombar. A biomecânica eficiente pede uma inclinação leve do corpo inteiro a partir do tornozelo, otimizando a propulsão dos glúteos.

5 estratégias para proteger suas articulações nas ladeiras

Para transformar o treino em subida em um aliado do seu desempenho, alguns ajustes técnicos são fundamentais:

  • Aumento da cadência (passos curtos): Reduzir a amplitude da passada na subida diminui a fase de voo e, consequentemente, o impacto da aterrissagem. Isso protege o joelho de forças de cisalhamento excessivas.
  • Posicionamento do olhar: Mantenha o olhar no horizonte, cerca de 10 a 15 metros à frente. Isso ajuda a manter as vias aéreas livres e a postura da coluna cervical alinhada com o restante do tronco.
  • Controle excêntrico na descida: As descidas do Tingui são onde ocorrem as maiores sobrecarregas articulares. Evite o “overstriding” (aterrizar com o calcanhar muito à frente do corpo), que funciona como um freio brusco e gera impacto direto no menisco.
  • Fortalecimento preventivo: O corredor curitibano precisa de glúteos e core estáveis. Na rotina de fisioterapia esportiva, como a praticada na Avanttos, o foco em exercícios de estabilidade lateral ajuda a evitar que o joelho “caia” para dentro (valgo dinâmico) durante a subida.
  • Aquecimento específico para tornozelos: Antes de iniciar o percurso, realize mobilizações dinâmicas. Um tornozelo com boa mobilidade absorve melhor as irregularidades do terreno do parque.

O papel da fisioterapia na longevidade do corredor de rua

A busca por uma clínica de fisioterapia não deve ocorrer apenas quando a dor impede o treino. Em Curitiba, a tendência de “Prehab” (fisioterapia preventiva) tem crescido entre atletas amadores que frequentam parques como o Tingui e o Barigui. Identificar desequilíbrios musculares através de avaliações biomecânicas permite corrigir falhas de movimento antes que elas se tornem lesões instaladas.

Tratamentos modernos, como a liberação miofascial e o recovery pós-treino, são ferramentas que aceleram a recuperação do tecido muscular submetido ao estresse das subidas. Na Clínica Avanttos, por exemplo, o acompanhamento é focado em manter o atleta em movimento, ajustando a carga de treino ao invés de simplesmente prescrever o repouso absoluto, garantindo que o corredor não perca sua evolução técnica.

Este artigo foi revisado por: Dra Celia Sandrini

Dra Celia Sandrini

CREFITO 14.700F

Phd em Prevenção de Lesões

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