Forçar um alongamento quando a coluna vertebral já está inflamada pode ativar o reflexo miotático, uma defesa natural do organismo que faz o músculo se contrair ainda mais para evitar o rompimento. Em vez de alívio, o esforço excessivo em um cenário de crise gera microlesões e aumenta a pressão sobre os discos intervertebrais, agravando quadros de hérnia de disco.

A sensação de “querer esticar” nem sempre significa que o músculo está curto, mas sim que o sistema nervoso está protegendo uma área instável.

3 alongamentos comuns que podem ser perigosos na fase aguda

Embora pareçam inofensivos, alguns movimentos populares de “alongamento proibido” podem ser o estopim para uma crise severa:

  • Tocar os pés com as pernas esticadas: Se houver uma hérnia de disco, esse movimento de flexão máxima projeta o núcleo do disco para trás, pressionando ainda mais a medula ou as raízes nervosas.
  • Rotação de tronco sentado: Torcer a coluna com força para “estalar” as costas gera uma carga de cisalhamento excessiva nas fibras do disco, podendo causar fissuras.
  • Alongamento “cobra” exagerado: A hiperextensão da lombar pode comprimir as facetas articulares, gerando dor para quem tem quadros de espondilolistese ou estenose.

Como identificar se o alongamento está ajudando ou prejudicando

A linha entre o desconforto terapêutico e a lesão é tênue. Observe os sinais do corpo durante e após a prática. O alongamento deve gerar uma sensação de “tensão suportável” que cede após 30 segundos.

Casal fazendo exercícios de alongamento juntos no chão
Casal fazendo exercícios de alongamento juntos no chão – Créditos: depositphotos.com / VitalikRadko

Se você sentir uma dor em pontada, choque ou se o formigamento aumentar durante o movimento, interrompa imediatamente. Outro sinal de alerta é a dor rebote: você se sente bem durante o alongamento, mas 30 minutos depois a coluna parece mais rígida e dolorida do que antes de começar.

A alternativa segura: mobilidade e estabilização segmentar

A ciência moderna da reabilitação tem trocado o foco do alongamento estático pela mobilidade ativa. Em vez de manter o músculo esticado sob tensão, realizam-se movimentos leves e repetitivos dentro de uma amplitude confortável. Isso ajuda a “lubrificar” as articulações com líquido sinovial sem ativar o reflexo de proteção.

Além da mobilidade, a estabilização segmentar (exercícios de fortalecimento profundo, como o Core) é o que realmente protege a coluna. Fortalecer o músculo transverso do abdômen e os multífidos cria uma “cinta natural” que retira o peso dos discos, tornando o alongamento menos necessário a longo prazo.

Quando procurar ajuda profissional para sua dor nas costas

Tentar resolver uma dor persistente apenas com vídeos de internet pode mascarar problemas graves. Se a sua dor não melhora em três dias, irradia para as pernas ou causa perda de sensibilidade, a avaliação de um fisioterapeuta especializado é indispensável. Como os nossos profissionais da Avanttos:

Um diagnóstico preciso identifica se o problema é muscular, articular ou discogênico. Com essa informação, o profissional prescreve exercícios de controle motor e técnicas manuais que liberam a tensão sem colocar sua integridade física em risco. Lembre-se: na fisioterapia, muitas vezes “menos é mais”.

Este artigo foi revisado por: Dra Celia Sandrini

Dra Celia Sandrini

CREFITO 14.700F

Phd em Prevenção de Lesões

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