Você termina a corrida, o corpo está quente, mas uma queimação persistente na parte interna da canela começa a incomodar. A canelite (síndrome do estresse tibial medial) tornou-se a queixa número um nos consultórios de fisioterapia. O erro mais comum? Acreditar que a dor é apenas “falta de costume” e continuar treinando sobre o processo inflamatório.
Atletas que ignoram o sinal inicial, podem acabar enfrentando meses de reabilitação. A verdade é que a canela não deveria doer; esse osso é o pilar de sustentação do seu impacto. Quando ele reclama, significa que a musculatura e o periósteo (a “capa” do osso) chegaram ao limite da exaustão mecânica, e o próximo passo pode ser uma fratura por estresse.
O que fazer ao sentir dor na canela no treino?
Se você sentiu a “fisgada” ou a sensibilidade ao toque logo após o treino, a regra de ouro não é apenas o repouso absoluto, mas sim a gestão inteligente da carga. A inflamação na tíbia responde rápido a intervenções corretas nas primeiras 48 horas.
- Gelo estratégico: Aplique compressas de gelo por 15 a 20 minutos, três vezes ao dia, para controlar a inflamação do periósteo.
- Redução imediata de volume: Diminua a quilometragem ou a intensidade do impacto. Se a dor persiste ao caminhar, pare o treino de impacto imediatamente.
- Liberação miofascial leve: Massagear a musculatura da panturrilha e do tibial anterior ajuda a reduzir a tração excessiva sobre o osso.
- Troca de superfície: Evite o asfalto rígido e priorize superfícies mais macias, como grama durante a fase de sensibilidade.

Quando a canelite se torna perigosa? Diferencie o incômodo da lesão grave
Muitas vezes o corredor confunde a dor muscular tardia com a lesão tibial. Para ajudar na sua autoavaliação, preparamos um comparativo baseado em protocolos de fisioterapia esportiva que indicam o momento exato de buscar ajuda profissional:
| Sintoma Observado | Provável Causa | Nível de Urgência |
| Dor que passa após o aquecimento | Canelite em estágio inicial | Monitoramento (Ajustar treino) |
| Dor que piora durante a corrida | Inflamação aguda do periósteo | Moderado (Pausar impacto) |
| Dor em repouso ou ao caminhar | Sobrecarga óssea severa | Alto (Avaliação necessária) |
| Ponto específico de dor intensa ao toque | Risco de Fratura por Estresse | Crítico (Exame de imagem) |
| Inchaço visível na crista da canela | Edema ósseo avançado | Crítico (Fisioterapia imediata) |
Recuperação de Performance na Clínica Avanttos Curitiba
Na Clínica Avanttos, localizada no Bacacheri, tratamos a canelite através da análise biomecânica da corrida. Não basta tirar a dor; é preciso entender por que sua canela está sendo sobrecarregada. Frequentemente, a causa está em um quadril fraco ou em uma pisada que não amortece o impacto de forma eficiente, forçando a tíbia a trabalhar além da sua capacidade.
Utilizamos tecnologias como a fotobiomodulação (Laser) para acelerar a cicatrização do tecido ósseo e a terapia manual para liberar as tensões que “puxam” a membrana do osso.
A prevenção é o segredo para a longevidade no esporte
O corpo humano é extremamente resiliente, mas ele exige equilíbrio. Aumentar o volume de treino em mais de 10% por semana é o convite principal para a canelite. Manter o fortalecimento específico para os músculos que estabilizam o tornozelo e o joelho é o que garante que a tíbia receba apenas a carga que ela consegue suportar.
A dor na canela é um pedido de socorro da sua estrutura óssea. Ao ouvir esse sinal e buscar o suporte de especialistas, você evita o ciclo de “melhora e volta a doer”, garantindo que sua rotina de treinos em 2026 seja marcada por recordes pessoais, e não por interrupções médicas.
Este artigo foi revisado por:
Dra Celia Sandrini
CREFITO 14.700F
Phd em Prevenção de Lesões




