O principal motivo para a perda acelerada de massa muscular em mulheres após os 45 anos é a queda drástica nos níveis de estrogênio. Esse hormônio atua como um protetor das fibras musculares, auxiliando na síntese de proteínas e na regeneração dos tecidos. Quando a produção diminui durante a menopausa, o corpo perde sua “âncora” anabólica, facilitando o avanço da sarcopenia — a perda de massa e força muscular.
Diferente do envelhecimento natural, essa transição hormonal cria um ambiente onde o músculo se degrada mais rápido do que o organismo consegue reparar. Sem o estímulo correto, o espaço antes ocupado por fibras ativas é gradualmente preenchido por tecido adiposo, o que reduz o metabolismo e compromete a independência funcional feminina a longo prazo.
O papel do estrogênio na preservação dos músculos
O estrogênio desempenha uma função vital nas chamadas células satélites, que são responsáveis por consertar as microlesões que ocorrem nos músculos durante o dia a dia. Com a redução desse hormônio, a capacidade de “auto-reparo” do corpo feminino diminui consideravelmente.
Além disso, a falta de estrogênio aumenta o estresse oxidativo e a inflamação sistêmica, fatores que aceleram a quebra das proteínas musculares. Isso explica por que muitas mulheres sentem que o corpo “muda de forma” rapidamente após os 45 anos, mesmo mantendo hábitos alimentares semelhantes aos de décadas anteriores.
Sarcopenia: o perigo invisível para a longevidade
A sarcopenia não é apenas uma questão estética; ela é uma condição clínica que afeta a qualidade de vida. A perda de força muscular está diretamente ligada ao aumento do risco de quedas, fraturas e ao desenvolvimento de doenças metabólicas, como a diabetes tipo 2.

Quando a musculatura enfraquece, as articulações ficam sobrecarregadas, o que pode desencadear dores crônicas nos joelhos, quadris e coluna. Por isso, a preservação da massa magra é considerada hoje um dos principais pilares da medicina preventiva e da fisioterapia voltada para a longevidade.
Como identificar os primeiros sinais de perda muscular
Muitas vezes, a balança não muda, mas a composição corporal sim. É o que especialistas chamam de “obesidade sarcopênica”. Fique atenta a estes sinais:
- Dificuldade em tarefas simples: Sentir que subir escadas ou carregar compras ficou mais pesado.
- Perda de equilíbrio: Tropeços frequentes ou insegurança ao caminhar em terrenos irregulares.
- Fadiga sem causa aparente: Cansaço muscular mesmo sem ter realizado esforços intensos.
- Mudança na postura: Os ombros tendem a se curvar para frente devido à fraqueza dos músculos das costas.
Estratégias fundamentais para recuperar a massa magra
Para frear esse processo, a ciência aponta que o foco deve ser o treinamento de força. Exercícios resistidos, como musculação ou pilates clínico, enviam sinais químicos ao cérebro para retomar a produção de tecido muscular, compensando parte da perda hormonal.
Além do exercício, o ajuste nutricional é indispensável. Após os 45 anos, a demanda por proteínas de alto valor biológico aumenta, pois o corpo torna-se menos eficiente em processar esses nutrientes. O acompanhamento profissional ajuda a garantir que a carga de treino seja suficiente para gerar ganho real, sem causar lesões articulares.
Este artigo foi revisado por:
Dra Celia Sandrini
CREFITO 14.700F
Phd em Prevenção de Lesões




