Explorar as ciclovias de Curitiba é uma das melhores formas de vivenciar a capital paranaense, mas o trajeto que leva ao Parque Barigui exige mais do que apenas fôlego. A inclinação de trechos urbanos e a repetição do movimento podem sobrecarregar a região lombar, transformando o lazer em um desconforto persistente se a postura não estiver alinhada.

Para aproveitar o roteiro com segurança, é essencial preparar o corpo e ajustar a bicicleta para as particularidades do relevo curitibano. Entender como a sua coluna reage ao esforço e aplicar técnicas simples de ativação muscular são os passos fundamentais para garantir que o seu único foco no Barigui seja apreciar o pôr do sol e as famosas capivaras.

O trajeto até o Parque Barigui: o que sua coluna enfrenta

O percurso que interliga diferentes bairros às ciclovias de Curitiba possui variações de altimetria que desafiam a estabilidade do tronco. Ao encarar subidas, a tendência natural do ciclista é curvar excessivamente as costas ou “puxar” o guidão com força, o que gera uma tensão aguda nos discos intervertebrais da lombar.

Essa sobrecarga ocorre porque, durante o esforço intenso, a musculatura estabilizadora tende a falhar primeiro. Sem o suporte adequado, a coluna absorve sozinha os impactos das irregularidades do asfalto, resultando naquela sensação de “peso” ou queimação na base das costas que surge logo após os primeiros quilômetros de pedalada.

Preparação física: o segredo está no core

A proteção da sua coluna começa antes mesmo de você subir na bicicleta. Ciclistas experientes sabem que o “motor” do pedal não são apenas as pernas, mas o core — o conjunto de músculos abdominais e lombares. Manter essa região ativa cria uma espécie de “cinturão natural” que blinda as vértebras contra o estresse mecânico do exercício.

Ciclistas em parque público
Ciclistas em parque público – Créditos: depositphotos.com / chrissi

Este estudo publicado pela Mayo Clinic reforça que o fortalecimento da musculatura estabilizadora profunda reduz significativamente a incidência de dores crônicas em atletas de resistência. Antes de sair para o Parque Barigui, realizar pranchas abdominais rápidas ajuda a “acordar” esses músculos, garantindo que eles sustentem seu peso durante todo o percurso.

Ajustes na bicicleta para proteger a região lombar

Muitas vezes, a dor não é culpa do seu corpo, mas de um erro de geometria na sua bike. Um selim muito alto força o quadril a balançar lateralmente, enquanto um selim muito baixo sobrecarrega os joelhos e a lombar. O ajuste ideal permite que sua perna fique levemente flexionada no ponto mais baixo do pedal, mantendo a bacia estável.

A distância entre o selim e o guidão também é crucial. Se você ficar muito esticado, a tensão na parte inferior das costas será inevitável. O objetivo é manter os braços relaxados e os cotovelos levemente flexionados, funcionando como amortecedores naturais para as imperfeições das ciclovias de Curitiba, evitando que o impacto chegue direto à sua coluna.

Dicas práticas para o roteiro das ciclovias

Durante o trajeto, lembre-se de variar a posição das mãos e realizar pequenas descompressões. A cada 20 minutos de pedal, tente pedalar em pé por alguns segundos ou simplesmente alinhar as costas enquanto a bicicleta desliza em um plano reto. Esses pequenos intervalos permitem que o fluxo sanguíneo circule melhor pelos tecidos nervosos da coluna.

Ao chegar no Parque Barigui, aproveite as áreas gramadas para um alongamento leve, focando nos flexores do quadril e glúteos. Muitas vezes, a tensão lombar é reflexo de músculos das pernas excessivamente encurtados. Com esses cuidados, seu roteiro pelas ciclovias curitibanas será marcado pela saúde e pela performance, e não pela dor.

Este artigo foi revisado por: Dra Celia Sandrini

Dra Celia Sandrini

CREFITO 14.700F

Phd em Prevenção de Lesões

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