Sentir dor na massagem é uma experiência comum, mas saber interpretar esse sinal é o que separa um tratamento eficaz de uma possível lesão tecidual. O desconforto terapêutico geralmente indica que a pressão está atingindo as camadas profundas da fáscia ou desativando pontos-gatilho, resultando em alívio imediato após a manobra.
No entanto, quando a intensidade ultrapassa o limite fisiológico, o corpo reage com contrações de defesa, o que anula os benefícios da terapia manual. Para garantir uma recuperação muscular segura, é fundamental que o paciente consiga identificar se a sensação sentida na maca é um passo para a cura ou um alerta de perigo para as fibras musculares.
O que caracteriza a ‘dor boa’ durante o tratamento
A chamada “dor boa” é clinicamente conhecida como dor de liberação. Ela ocorre quando o profissional aplica pressão em uma área de tensão crônica ou nódulo muscular. Embora a sensação seja intensa, ela costuma ser acompanhada por um sentimento de “alívio profundo” ou de que o músculo está “derretendo” sob as mãos do terapeuta.
Diferente de um trauma, esse desconforto é localizado e não irradia de forma desagradável. Após alguns segundos de pressão constante, a sensibilidade diminui naturalmente, sinalizando que a circulação sanguínea voltou a fluir normalmente naquela região, oxigenando o tecido que estava contraído.
4 sinais de alerta de que a pressão está sendo ‘ruim’
Se você precisa prender a respiração ou cerrar os dentes para suportar a sessão, algo está errado. A pressão excessiva pode causar micro-rompimentos em vasos sanguíneos e fibras, gerando inflamações desnecessárias. Fique atento a estes sinais:

- Contrações involuntárias: Se outras partes do seu corpo tensionam para “aguentar” a dor, o tratamento perde o efeito.
- Dor aguda ou em pontada: Sensações que lembram choques ou agulhadas indicam compressão de nervos ou vasos.
- Hematomas extensos: O surgimento de manchas roxas no dia seguinte não é sinal de eficiência, mas de trauma tecidual.
- Duração prolongada: A dor que persiste de forma aguda por mais de 48 horas após a sessão indica que o estímulo foi além da capacidade de regeneração do organismo.
A liberação de pontos-gatilho
Os pontos-gatilho (trigger points) são pequenos nós em bandas tensas do músculo que causam dor local ou referida. Quando pressionados corretamente, eles evocam uma resposta de “dor referida”, que o cérebro interpreta como algo necessário. Esse processo é essencial para quem pratica atividades físicas intensas, como corridas nos parques Barigui ou Tingui, onde a musculatura das pernas é altamente exigida.
A aplicação da técnica correta ajuda na reeducação do movimento e na melhora da biomecânica. O objetivo não é causar sofrimento, mas sim restaurar a elasticidade da fáscia muscular, permitindo que as articulações se movam sem restrições.
Tecnologia aliada ao toque para evitar o erro de pressão
Atualmente, a fisioterapia de alta performance utiliza ferramentas de Biofeedback para monitorar a resposta muscular em tempo real. Essa tecnologia remove o “achismo” da pressão manual, permitindo que o profissional saiba exatamente o limite de tolerância do tecido.
Sistemas de análise de movimento, como o Baiobit, também ajudam a identificar se a dor relatada é fruto de um desequilíbrio postural ou de uma sobrecarga específica. Dessa forma, a intervenção deixa de ser apenas uma massagem e passa a ser um plano de reabilitação funcional baseado em dados concretos e segurança clínica.
Este artigo foi revisado por:
Dra Celia Sandrini
CREFITO 14.700F
Phd em Prevenção de Lesões




