O bruxismo é uma condição silenciosa que afeta milhões de pessoas, muitas vezes sem que elas percebam até que os sintomas físicos se tornem insuportáveis. Esse hábito involuntário de apertar ou ranger os dentes durante a noite impede que o corpo atinja as fases mais profundas do repouso, resultando em um sono fragmentado e uma sensação de cansaço crônico logo ao despertar.
Mais do que um problema dentário, o bruxismo noturno é um distúrbio neuromuscular que sobrecarrega a articulação temporomandibular (ATM) e a musculatura da face, pescoço e ombros. Para quem busca recuperar a qualidade de vida, entender como essa tensão interfere na biologia do sono é o primeiro passo para um tratamento que vai além das placas de proteção, focando na reabilitação funcional do corpo.
O que é o bruxismo e por que ele ataca durante a noite
O bruxismo é classificado como uma atividade muscular mastigatória repetitiva. Durante o sono, o sistema nervoso central envia estímulos que provocam a contração excessiva dos músculos da mandíbula. Diferente da mastigação funcional, essa pressão é desproporcional e contínua, desgastando o esmalte dentário e gerando microtraumas nas articulações.
O grande problema é que esse “vilão invisível” está intimamente ligado ao estresse e à ansiedade. Em cidades de ritmo intenso, o cérebro muitas vezes não consegue “desligar” completamente, mantendo a musculatura em estado de alerta. Esse ciclo vicioso impede o relaxamento necessário para o sono reparador, afetando a produção de hormônios essenciais e a memória.
Sinais de que você está rangendo os dentes sem perceber
Como o evento ocorre durante a inconsciência do sono, o diagnóstico costuma ser feito através dos “rastros” deixados pelo corpo pela manhã. Fique atento aos seguintes sintomas:

- Cefaleia tensional: Acordar com dor de cabeça, principalmente na região das têmporas.
- Dor orofacial: Sensibilidade ou dor nos músculos da mandíbula ao bocejar ou mastigar.
- Zumbido no ouvido: Pressão na ATM que irradia desconforto para o canal auditivo.
- Desgaste dentário: Dentes que parecem mais curtos ou com bordas lascadas.
- Cansaço inexplicável: Sensação de que o sono “não rendeu”, mesmo tendo dormido por oito horas.
As consequências para a musculatura da face e do pescoço
A persistência do bruxismo sem o tratamento adequado leva a um quadro de hipertrofia dos músculos masseter e temporal. Isso não apenas altera a estética facial, deixando o rosto com aspecto mais “quadrado” e tenso, mas também gera uma cadeia de compensação muscular.
A tensão acumulada na mandíbula desce para o trapézio e a coluna cervical, causando torcicolos frequentes e dores nas costas. É por isso que o tratamento moderno do bruxismo não se limita à odontologia; ele exige uma abordagem de fisioterapia especializada para liberar os tecidos profundos e reeducar a postura da cabeça e do pescoço.
Como o tratamento funcional devolve o descanso profundo
Para interromper o ciclo da dor, é necessário desativar os pontos-gatilho gerados pelo aperto constante. Técnicas de terapia manual e liberação miofascial intraoral e extraoral são altamente eficazes para relaxar a musculatura mastigatória.
Assim como explicar uma das nossas fisioterapeutas:
Aliar essas manobras ao uso de tecnologias como a radiofrequência (Tekah) ajuda a reduzir a inflamação na articulação de forma indolor. O objetivo é reduzir a excitabilidade neuromuscular, permitindo que o paciente volte a ter uma arquitetura de sono saudável e acorde sem a sensação de “ter lutado um boxe” durante a noite.
Este artigo foi revisado por:
Dra Celia Sandrini
CREFITO 14.700F
Phd em Prevenção de Lesões




