Sentir um leve formigamento nas mãos ou nos dedos após horas de trabalho no computador não é apenas cansaço, mas um sinal de alerta do corpo para a Síndrome do Túnel do Carpo. Essa condição ocorre quando o nervo mediano, que passa pelo pulso, sofre uma compressão contínua devido à postura inadequada e ao uso repetitivo de periféricos como o mouse e o teclado. Se ignorado, esse sintoma pode evoluir para dores agudas, perda de força e até a necessidade de procedimentos invasivos.

A ergonomia deficiente no ambiente de trabalho é um dos principais fatores que agravam a inflamação dos tendões no pulso. Ao manter o punho em ângulos forçados ou apoiado firmemente contra a quina da mesa, você reduz o espaço do canal por onde passam os nervos, desencadeando um processo inflamatório crônico. A boa notícia é que ajustes simples na sua estação de trabalho e a adoção de hábitos saudáveis podem reverter os sintomas iniciais e proteger sua saúde ocupacional.

Como o uso incorreto do mouse comprime o nervo mediano

O erro mais comum ao utilizar o mouse é a extensão do pulso, ou seja, manter a mão dobrada para cima. Essa posição aumenta significativamente a pressão interna no túnel do carpo, um canal estreito por onde passam nove tendões e o nervo mediano. Quando essa pressão se torna constante, o nervo começa a “sofrer”, resultando na sensação de dormência que geralmente começa nos dedos polegar, indicador e médio.

Visualização 3D de pulso humano
Visualização 3D de pulso humano – Créditos: depositphotos.com / SoftSheep

Outro fator crítico é o chamado “apoio de punho” inadequado. Muitas pessoas apoiam o peso do braço diretamente sobre a base do pulso enquanto movimentam o mouse. Isso cria um ponto de compressão direta sobre o nervo, dificultando a circulação sanguínea e a transmissão dos impulsos nervosos. O ideal é que o movimento parta do antebraço e não apenas do punho.

Sinais de alerta: do formigamento à perda de força nas mãos

A Síndrome do Túnel do Carpo não surge do dia para a noite; ela apresenta sinais progressivos que muitas vezes são negligenciados. O primeiro estágio é o formigamento noturno, onde a pessoa acorda com a sensação de “mão morta”, geralmente porque dobrou os pulsos durante o sono, agravando a compressão já existente pelo trabalho diurno.

Dores no pulso causadas pela Síndrome do Túnel do Carpo
Dores no pulso causadas pela Síndrome do Túnel do Carpo – Créditos: depositphotos.com / Sasha2109

Com o avanço da lesão, os sintomas passam a ocorrer durante o dia, especialmente ao segurar objetos como o celular ou o volante de um carro. Em estágios mais graves, ocorre a atrofia muscular na base do polegar e a perda da destreza manual. Se você percebe que está deixando objetos caírem com frequência ou sente dificuldade para abotoar uma camisa, a compressão do nervo pode estar em um nível crítico, exigindo avaliação médica imediata.

Ajustes ergonômicos para prevenir lesões por esforço repetitivo

Para evitar que a LER/DORT (Lesões por Esforço Repetitivo) se instale, é fundamental reconfigurar sua mesa de trabalho. O primeiro passo é garantir que o mouse esteja na mesma altura do teclado e que seu antebraço esteja totalmente apoiado na mesa ou no descanso de braço da cadeira. O ângulo do cotovelo deve ser de aproximadamente 90 graus.

Fisioterapeuta massageando paciente com dores no punho
Fisioterapeuta massageando paciente com dores no punho – Créditos: depositphotos.com / Lakschmi

Considere investir em um mouse vertical ou ergonômico. Diferente do modelo tradicional, o mouse vertical permite que a mão fique em uma posição de “aperto de mão”, que é a postura anatômica neutra do ser humano. Isso elimina a torção do rádio e da ulna (ossos do antebraço) e remove a pressão direta sobre o túnel do carpo, permitindo que o nervo trabalhe livre de compressões.

Exercícios de alongamento que aliviam a pressão no pulso

Pausas ativas são essenciais para quem passa mais de seis horas em frente ao monitor. A cada 50 minutos de trabalho, reserve 2 minutos para realizar alongamentos específicos. Um dos exercícios mais eficazes consiste em estender o braço para a frente com a palma da mão voltada para cima e, com a outra mão, puxar os dedos suavemente para baixo. Isso alonga os tendões flexores e ajuda a “abrir” o espaço no canal do carpo.

Veja como a Patrícia Andersen faz exercícios para aliviar esta pressão:

Outra técnica recomendada por fisioterapeutas é a mobilização do nervo mediano, que ajuda o nervo a deslizar melhor entre os tecidos adjacentes. Além disso, rotacionar os pulsos e abrir e fechar as mãos repetidamente estimula a circulação e reduz o edema local, prevenindo o acúmulo de líquidos que também contribui para a pressão nervosa.

Este artigo foi revisado por: Dra Celia Sandrini

Dra Celia Sandrini

CREFITO 14.700F

Phd em Prevenção de Lesões

Instagram

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *