Quem pratica atividades físicas em academia costuma ter uma dúvida recorrente: o mesmo Tênis de corrida pode ser usado para musculação ou é melhor separar um calçado específico para cada tipo de treino? A escolha do calçado adequado influencia diretamente em estabilidade, segurança articular e até na eficiência dos movimentos durante o exercício.

Nos últimos anos, a popularização da corrida de rua fez com que muitas pessoas passassem a utilizar apenas esse tipo de tênis no dia a dia e também nos treinos com pesos. No entanto, o desenho do solado, o nível de amortecimento e o suporte lateral variam bastante entre modelos voltados para corrida, musculação e treinos funcionais. Entender essas diferenças ajuda a reduzir riscos de torções, sobrecargas e desconfortos.

Tênis – Créditos: depositphotos.com / Maxisports

Tênis de corrida serve para musculação?

A palavra-chave central nesse debate é tênis de corrida para musculação. De maneira geral, o calçado de corrida foi projetado para deslocamentos para frente, com ênfase em amortecimento e resposta de passada. Já na musculação, o foco está em estabilidade, base firme no chão e boa transferência de força durante exercícios como agachamento, levantamento terra e supino.

Isso significa que o tênis de corrida até pode ser utilizado em sessões leves de musculação, especialmente por iniciantes ou em treinos com máquinas, onde a exigência de equilíbrio é menor. Porém, em cargas mais altas ou em movimentos que exigem maior controle postural, o excesso de espuma e o solado muito macio podem dificultar o ajuste do centro de gravidade e alterar a mecânica do exercício.

Quais as diferenças entre calçados para corrida e para treino de força?

A comparação entre calçado de corrida e tênis para musculação começa pela estrutura do solado. Enquanto um busca absorver impacto, o outro prioriza firmeza. Alguns pontos chamam atenção:

  • Amortecimento: tênis de corrida costumam ter entressola alta, com espumas macias ou placas que reduzem o impacto na corrida. Na musculação, esse amortecimento em excesso pode criar instabilidade em exercícios de base.
  • Drop (diferença de altura entre calcanhar e antepé): modelos de corrida frequentemente apresentam drop mais elevado. Já calçados voltados ao treino de força tendem a ter drop baixo ou até solado plano, favorecendo distribuição uniforme do peso.
  • Suporte lateral: na corrida, o movimento é predominantemente linear. Já em treinos de academia, há deslocamentos laterais, mudanças rápidas de direção e estabilização em diferentes planos, exigindo reforço nas laterais do tênis.
  • Rigidez do solado: solados mais rígidos aumentam a estabilidade na hora de empurrar o chão em exercícios de força. Tênis de corrida geralmente são mais flexíveis para facilitar a transição da passada.

Por isso, muitos fabricantes oferecem linhas específicas chamadas de “training”, “gym” ou “cross training”, que buscam um equilíbrio entre amortecimento moderado e boa firmeza para suportar desde exercícios com peso até atividades aeróbicas curtas.

Quando usar tênis de corrida na musculação faz sentido?

Embora não seja a combinação mais indicada para todos os contextos, há situações em que o tênis de corrida na academia pode ser funcional. Em treinos focados em esteira, bicicleta, elíptico ou circuitos com pouco peso, o amortecimento extra tende a trazer conforto e proteção contra impactos repetitivos.

Alguns cenários em que o tênis de corrida pode ser considerado adequado:

  1. Treinos iniciais de musculação: pessoas em fase de adaptação, utilizando cargas moderadas e muitas máquinas guiadas, podem manter o calçado de corrida sem grandes prejuízos.
  2. Sessões combinadas de corrida e musculação leve: quem faz primeiro uma corrida e depois exercícios simples pode priorizar um tênis de corrida versátil, desde que evite cargas muito altas.
  3. Exercícios de membros superiores sentados ou deitados: em movimentos como supino, remada ou desenvolvimento em máquinas, a demanda de estabilidade dos pés é menor.

Mesmo nessas situações, o ideal é ficar atento a sinais de desconforto nos joelhos, tornozelos e lombar, avaliando se o calçado está contribuindo para uma base segura durante os movimentos.

Como escolher o melhor calçado para treinar musculação?

Para quem pratica treino de força com regularidade, especialmente com exercícios livres e cargas mais elevadas, a escolha de um calçado estável tende a ser mais interessante do que o uso exclusivo de tênis de corrida. Alguns critérios podem ajudar nessa seleção:

  • Solado mais plano e firme: melhora a sensação de contato com o solo e a transferência de força.
  • Amortecimento moderado: suficiente para conforto, mas sem comprometer a estabilidade.
  • Boa aderência: evita escorregões em pisos de borracha ou áreas mais lisas da academia.
  • Ajuste seguro no pé: cadarço eficiente e estrutura que impeça o pé de “dançar” dentro do tênis.

Em modalidades específicas, como levantamento olímpico, alguns atletas optam por calçados ainda mais rígidos, com salto levemente elevado no calcanhar e travas adicionais, focados exclusivamente em agachamentos profundos e movimentos técnicos.

Vale a pena ter um tênis para corrida e outro para musculação?

A decisão de separar um tênis para correr e outro para treinar musculação depende de frequência de treino, tipo de exercício e orçamento disponível. Para quem corre várias vezes na semana e também realiza treinos intensos de força, a divisão tende a preservar melhor a estrutura dos calçados e a oferecer características mais adequadas para cada atividade.

De forma prática, muitas pessoas adotam a seguinte estratégia:

  1. Utilizar um tênis de corrida principal, reservado às corridas e caminhadas.
  2. Manter um tênis de treino com solado mais estável para musculação, aulas de funcional e exercícios com peso.
  3. Substituir o calçado de corrida para uso em treinos gerais quando ele já não apresenta o mesmo desempenho para correr, estendendo a vida útil como tênis “secundário” para a academia.

Com essas escolhas, a pessoa ajusta o calçado às exigências de cada modalidade, reduzindo o desgaste prematuro do tênis de corrida e favorecendo uma base mais segura na musculação. O ponto central não é proibir o uso do tênis de corrida na academia, mas compreender em quais contextos ele é adequado e quando um modelo específico para treino de força se torna uma opção mais alinhada às demandas do corpo.

Este artigo foi revisado por: Dra Celia Sandrini

Dra Celia Sandrini

CREFITO 14.700F

Phd em Prevenção de Lesões

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