Muitas pessoas acreditam que a dor muscular logo após o exercício é o principal sinal de progresso, mas o verdadeiro pico de desconforto costuma ocorrer apenas 24 ou 48 horas depois. Esse fenômeno, conhecido cientificamente como Dor Muscular de Início Tardio (DOMS), não é um sinal de lesão, mas sim uma resposta biológica complexa de reparação.

Esse “atraso” ocorre porque o corpo leva tempo para recrutar células de defesa que limpam e reconstroem as microlesões causadas pelo esforço. Entender esse ciclo é fundamental para quem busca hipertrofia ou performance sem comprometer a saúde das articulações.

O que acontece no músculo durante o “pico” de dor

A dor que você sente dois dias após a academia é resultado de microtraumas nas fibras musculares. Durante o exercício, especialmente em movimentos excêntricos (como descer o peso), as proteínas que compõem o músculo sofrem pequenas rupturas que liberam substâncias químicas no tecido.

Homem segurando o próprio braço com dores em academia
Homem segurando o próprio braço com dores em academia – Créditos: depositphotos.com / MikeEdwards

Esse processo atrai água para a região, gerando um leve edema que pressiona os receptores de dor. Diferente de uma cãibra ou estiramento, a DOMS é um sinal de que o tecido está sendo remodelado para se tornar mais forte e resistente a estímulos futuros.

A função dos macrófagos na regeneração tecidual

Estudos publicados em abril de 2025 pela FAPESP trouxeram uma nova perspectiva: a atividade física transforma células do sistema imune, chamadas macrófagos, em agentes anti-inflamatórios potentes. Esse processo é o que impede que uma dor aguda de treino se transforme em uma inflamação crônica.

Essas células não apenas removem os restos de fibras danificadas, mas também liberam fatores de crescimento que “ordenam” a criação de novas proteínas. Por isso, a fisioterapia esportiva moderna defende que a inflamação controlada é necessária para o ganho de massa muscular.

Dor “boa” vs. Lesão: como identificar os sinais de alerta

Saber diferenciar o desconforto do crescimento de uma lesão real é vital para a longevidade no esporte. A dor tardia comum é bilateral (sente-se nos dois braços ou pernas), surge apenas ao movimentar o músculo e diminui após um aquecimento leve.

Já os sinais de alerta incluem dor em apenas um lado do corpo, inchaço visível em uma articulação específica ou dor aguda mesmo em repouso. Nestes casos, a avaliação de um fisioterapeuta é indispensável para evitar que um pequeno estiramento se torne uma ruptura completa.

Recuperação ativa e métodos de recovery profissional

Embora o instinto seja ficar parado, o repouso absoluto pode, na verdade, prolongar a dor. A recuperação ativa — como uma caminhada leve ou natação — aumenta o fluxo sanguíneo, ajudando a remover os resíduos metabólicos de forma mais rápida e eficiente.

Para atletas e praticantes frequentes, o uso de tecnologias de recovery, como as botas pneumáticas e a liberação miofascial, acelera esse processo. Clínicas especializadas, como a Avanttos, utilizam esses protocolos para “limpar” a musculatura, permitindo que o paciente retorne aos treinos com menos desconforto e mais segurança.

Este artigo foi revisado por: Dra Celia Sandrini

Dra Celia Sandrini

CREFITO 14.700F

Phd em Prevenção de Lesões

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