Muitas pessoas relatam que o desconforto nos joelhos, ombros ou coluna atinge o pico justamente na hora de dormir. De acordo com a fisiologia humana, esse fenômeno não é coincidência: ele está diretamente ligado ao ciclo do cortisol, o hormônio responsável por controlar a inflamação no nosso organismo.
Entender como o seu relógio biológico influencia a percepção da dor é o primeiro passo para ajustar sua rotina e garantir um descanso reparador, sem a interrupção de crises agudas.
O papel do cortisol na modulação da dor
O cortisol segue um ritmo circadiano: ele atinge o pico pela manhã, para nos dar energia, e cai drasticamente durante a noite. Como esse hormônio possui uma forte ação anti-inflamatória, sua redução natural no período noturno permite que mediadores químicos da inflamação fiquem mais ativos nas articulações.
Essa oscilação hormonal explica por que uma lesão ou condição crônica, como a artrite ou a tendinite, parece “acordar” assim que você se deita.
Por que a percepção sensorial aumenta no escuro
Além da química hormonal, o fator neurológico desempenha um papel crucial. Durante o dia, o cérebro está ocupado com estímulos visuais, sonoros e motores (o chamado “ruído de fundo”). À noite, na ausência dessas distrações, o sistema nervoso central foca toda a atenção nos sinais enviados pelos receptores de dor.

Para quem sofre de dor crônica, o silêncio do quarto acaba funcionando como um amplificador para o desconforto que estava “escondido” durante a correria do dia.
Estratégias para aliviar o desconforto noturno
Para minimizar o impacto da queda do cortisol e melhorar a qualidade do sono, fisioterapeutas recomendam algumas medidas práticas:
- Higiene térmica: O uso de compressas mornas antes de deitar ajuda a relaxar a musculatura e melhorar a circulação local.
- Posicionamento estratégico: O uso de travesseiros entre os joelhos ou sob a lombar reduz a pressão mecânica nas articulações.
- Movimentação leve: Alongamentos de baixa intensidade antes de dormir podem ajudar a “limpar” o excesso de resíduos inflamatórios acumulados.
Se a dor persistir, a avaliação de um especialista em fisioterapia é essencial para identificar se o problema é puramente inflamatório ou se há uma falha biomecânica que precisa de correção.
Este artigo foi revisado por:
Dra Celia Sandrini
CREFITO 14.700F
Phd em Prevenção de Lesões




